A janela, a pandemia e o tempo


Última semana de abril, o mês mais bonito em Brasília: o céu é azulão, a cidade tá verde, a luz solar é amena e as chuvas tranquilas e esparsas. Consigo ver essa passagem do tempo da minha janela.


Uma janela privilegiada, de onde eu vejo gente circulando, trânsito, bichos, bastante árvores, obra do metrô, canto de pássaros 🦅. Enfim, tenho um micro-mundo em minha frente.

Mesmo confinada em casa, não perco o ritmo da vida. Aliás, da minha janela vigio o mundo, nada me escapa, ninguém passa anônimo. Vigília que me provoca olheiras e cabelos brancos, a roupa é surrada e as unhas sem esmalte. Não importa, nenhum confinamento é glamouroso.


Maio tá chegando, o frio tá vindo e, junto, vem a seca. Me preocupo. Paisagem árida e vírus à espreita. Loucos soltos, trem desgovernado, corpos que estão por vir, jogados em vala rasa. Não é ficção-lixo, é o que temos para hoje. E para amanhã. E eu aqui na janela, à espera de um milagre.


Brasilia, 27/04/2020


#cronica #literaturabrasileira #escrevivencias #antirracista

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