Cheiro de Feijão - poema

Atualizado: 22 de Out de 2020



























Sinto falta de tudo que era meu. Tudo. Da rua sem asfalto iluminada pelo sol seco. Do apito do carrinho do senhorzinho que conserta panelas. De assistir a casca da laranja se transformar num espiral perfumado e infinito. Saborear cada gomo sem pressa pra vida. De sentir o cheiro do feijão refogado na casa da vizinha. Ouvindo a mulher que canta sua saudade com voz trêmula e melancolia. Na vitrola, a música que revela seus segredos. Sinto falta de tudo que ficou pelo meio. Das vozes que não pedem licença. Dos olhares que pedem licença. Das tardes de sábado. Do mingau de aveia. Gemada. Do cheiro do café coado e do pão fresquinho. Das vidas inseparáveis.

texto original no: http://blogueirasnegras.org/cheiro-de-feijao/


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